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Ato contra o aumento do IPTU não é uma causa popular

Ato contra o aumento do IPTU não é uma causa popular

Entenda porque o ato contra o aumento do IPTU não é uma causa popular:

1 – Quando o primeiro homem cercou um pedaço de terra e disse ‘isso é meu”, deu início ao que chamamos de propriedade privada;

2 – A propriedade privada, é tratada como mercadoria, e portanto deve ser taxada como tal;

3 – Embora almejamos a igualdade na distribuição dos recursos (como terra, meios de produção e etc), fato é que a sociedade está dividida entre os que TEM propriedade privada e os que NÃO TEM;

Agora vou apresentar quatro personagens fictícios para facilitar:

José: mora na Brasilândia, paga aluguel e tem uma renda mensal considerada “classe C”. José tem tv, celular, videogame, mas não tem uma casa. Leva em média 3 horas para ir para o trabalho, fica mais tempo no transporte publico do que em casa.

Maurício: tem uma casa na Consolação, com mais de 100 metros quadrados, ele paga suas contas e é um perfil ideal de pequeno burguês: tem ao seu redor, as melhores vias de tráfego, está perto do metro embora nunca o utilize, pois ele prefere trabalhar de carro, é mais confortável de fato.

Armando: está entre o José e o Maurício.
Ele tem uma casa própria na periferia, paga também a taxa anual sobre seu imóvel, mas com o reajuste só o imóvel do Maurício aumentou, enquanto o do Armando diminuiu.

Chegou o meu carnê do IPTU

Ocorre que o imóvel do Maurício (o cara da Consolação) hoje vale muito mais do que o que ele investiu. A especulação imobiliária o beneficia de certa forma, pois ele tem uma garantia de capital que é eterna e com o tempo só tende a ser mais valorizado.

O Armando (o cara lá da periferia que tem casa própria), até pensou em vender a sua casa e morar num lugar mais perto do Maurício, mas como a especulação imobiliária está alarmante, o Armando desistiu, pois nunca poderá dispor do valor que pedem num imóvel menor que o seu na periferia. com esse aumento, 

Ah, o José, o cara que paga aluguel, não sofreu com o reajuste, pois está escrito no contrato com o locatário que “as despesas e taxas devem ser pagas pelo dono do imóvel”. O dono do imóvel que ele mora, não trabalha, ele vive dos alugueis das 10 casas que possui na periferia.
Esse dono da casa que ele mora estava reclamando que terá que pagar a taxa com o reajuste que a muitos anos estava congelado. 

A arrecadação municipal, como podemos ver, é uma das arrecadações mais justas e igualitárias que existe, pois a verba arrecadada deve ser destinada para melhorias na cidade.

Se o José e o Armando não podem morar próximos ao centro expandido, é justo que o Maurício, maior beneficiado com a especulação imobiliária, contribua proporcionalmente ao valor do seu imóvel, devolvendo parte do “lucro” estimado para melhorias no transporte, saúde e educação daqueles que estão na periferia e para o próprio Maurício que está localizado em uma das regiões mais beneficiadas pelas políticas públicas. Não se esqueçam, que o Maurício reclama da taxa anual que vai aumentar sobre seu imóvel enquanto é beneficiado com a especulação imobiliária, e ainda tem a sua disposição os melhores hospitais públicos, os melhores colégios públicos, as melhores vias e estações de metro, embora ele tenha optado por serviços particulares.

Todos esses benefícios gratuitos que estão a disposição do Maurício, são financiados pelo fundo de arrecadação municipal, ou seja, com o IPTU. Mas, o Maurício, que não usa serviços públicos está bravo, pois não entende o motivo de ter um reajuste na sua contribuição com a sociedade.

O Armando, também reclama, mesmo não tendo o seu imóvel sofrido reajusto. Ocorre que ele escutou dizer que “a corrupção vai prejudicá-lo mais uma vez”, e então ele levanta a bandeira junto com o Maurício e compartilham frases de revolta nas redes sociais.

O José, está um pouco alheio a tudo isso, ele mal tem tempo para acessar a rede, mas não está muito preocupado com isso, sua preocupação maior é o calculo mensal do valor do aluguel versus salário. Ele não tem convênio médico, mas adoraria ver o AMA do seu bairro com melhores equipamentos. O José soube que o dono do prédio onde mora estava bravo com o aumento do IPTU, e escutou esse senhor dizer que até iria em um protesto contra a esse aumento, já que só aumentam as taxas, mas não se vê melhorias no bairro. O José ficou surpreso, pois nunca havia antes, escutado o dono da casa preocupado com os serviços públicos ineficientes do bairro onde mora. Mesmo sem refletir muito sobre essa questão, José perguntou ao dono da casa onde ele mora “Ué, mas se o problema é esse, não seria mais correto o senhor protestar para que houvesse transparência do governo nessa distribuição do dinheiro arrecadado, para que fossem de fato destinado para fins sociais?”. O dono da casa não respondeu,

O Maurício afirma que essa cobrança prejudica as classes médias e baixas, e diz que está solidário com o povo nessa causa contra o reajuste do IPTU. Um internauta perguntou se ele participaria de um ato contra a especulação imobiliária, especulação essa que supervaloriza o imóvel dele e não permite que moradores da periferia adquiram imóveis em regiões como a dele. O Maurício não respondeu.

O dono da casa que o José mora e o Maurício não responderam, pois se apropriam de palavras ‘povo, corrupção, e sociedade” para promover um discurso em que a única preocupação de fato, são suas contas bancárias.

Resumindo:

1- Os que tem propriedade privada são os maiores beneficiados com a especulação imobiliária, que tende a valorizar cada vez mais seus imóveis;

2 – Os que tem propriedade privada, mesmo não sendo um “burgues”, tem uma garantia capital e “não ter onde morar” não é um problema que os acossa.

3- Os que na tem imóveis e portanto nenhuma garantia capital, não tem condições de ir para áreas melhores, pois os terrenos estão supervalorizados.

4 – Não é a taxa do IPTU que perpetua o distanciamento entre centro e periferia, e sim a especulação imobiliária.

Agora que compreendemos bem, onde mora o Maurício, o Armando e o José, vejamos como ficou o reajuste.

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