Aviação Nacional: Motivos para comemorar?

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Aviação Nacional: em 2012, o mercado americano de voos domésticos precisou de apenas dois meses para ultrapassar a marca dos cem milhões de passageiros

Cem milhões de passageiros transportados em 2012, essa é a marca que a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) tem se orgulhado de noticiar. Mas será que os números realmente empolgam como deveriam? Será que a aviação nacional encontra-se em clima de festa? Com certeza não é o que frequentadores assíduos de aeroportos relatam e nem o que especialistas vem debatendo.

Segundo dados do próprio site da ANAC, o Brasil transportou 101.354.228 passageiros em 2012, um aumento de 9,42% em relação ao ano anterior. Os números parecem até iludir à primeira vista, mas uma vez que comparamos aos números de países como Estados Unidos, pode-se ter uma ideia de quão atrasada a aviação nacional está. Em 2012, o mercado americano de voos domésticos precisou de apenas dois meses para ultrapassar a marca dos cem milhões de passageiros transportados.

Entrevistado pela Jab Consultoria, Percy Rodrigues, jornalista, consultor de transporte aéreo e aeroviário durante 44 anos, avaliou que um dos principais problemas da aviação nacional é a descapitalização das empresas que provoca um serviço deficiente com alto número de voos atrasados e cancelados. Já no transporte internacional, o domínio de companhias aéreas estrangeiras é fator determinante para o baixo crescimento nacional.

Se um dos fatores é a falta de capital, outro com certeza tem haver com o duopólio que existe hoje com as empresas TAM e GOL diminuindo as chances de companhias menores se firmarem no mercado de forma competitiva ao enfrentarem essa que, apesar de um crescimento sem a geração do lucro esperado, ainda é uma forte liderança na atual conjuntura do setor.

Em “O Aviador”, drama estadunidense de 2004 dirigido por Scorcese, Howard Hughes (Leonardo DiCaprio) adquire a empresa TWA com o objetivo quebrar o monopólio imposto pela Panair e imprimir uma revolução na aviação norte-americana que revolucionaria não apenas o país, mas o mundo inteiro. A moral da história é simples: Mais empresas, mais benefícios.

A solução para o caos da aviação nacional está longe de ser facilmente encontrada, mas para Rodrigues esta poderia vir através das mãos da presidente Dilma. “O Governo Federal deveria estabelecer um marco regulatório definindo a política do setor aéreo como de interesse nacional, econômico e estratégico no transporte  de passageiros e carga tanto no âmbito doméstico e internacional”, afirma.

O analista também relata que a falta deste marco regulatório é combinado com a ação da ANAC em exercer autoridade concedente de forma casuística cedendo ao lobby de empresas líderes e consequentemente dificultando a vida de empresas menores. Além disso, Percy Rodrigues também explica que o crescimento de empresas como Avianca, Azul, e outras deve ser feito de forma gradual e sustentável, evitando o “gigantismo” – crescimento sem resultado – que está prejudicando as líderes de mercado.

O que esperar do futuro?

O Brasil vive nos últimos anos enfrentando os holofotes do mundo. Copa do Mundo 2014, Olimpíadas 2016 e diversos outros eventos não apenas esportivos acontecendo em nossas terras tupiniquins obrigam o país a realizar investimentos maciços em logística e transportes. O que esperar de nossos aeroportos que já são tão deficientes sem esses eventos gigantes? E das companhias aéreas?

Uma das medidas que o brasileiro pode esperar é que o país não passará vergonha por falta de investimentos no setor – ou ao menos não tentará passar. Se as medidas serão definitivas e esses investimentos continuarão sendo feitos após a saída de nossos queridos visitantes de nossas terras, a questão já é mais complexa.

“As deficiências serão contemporizadas pelo esforço extra dos profissionais do setor. O governo, como sempre, disponibilizará vultosa soma de recursos, que, mal utilizada, deixará nossos aeroportos ainda deficientes”, afirma Percy Rodrigues.

*Colaborou com a matéria Percy Rodrigues, Jornalista Profissional, Consultor de Transporte Aéreo, Aeroviário durante 44 anos. Último cargo: Diretor-Presidente da Rio Sul Linhas Aéreas.

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